Fotos: Quiririm News

De suma importância na preservação da cultura italiana em Quiririm, o Grupo Folclórico Italiano Santa Lucia é uma das atrações mais aguardadas e assistidas pelo público da Festa Italiana de Quiririm em todos as edições. Em 2019, junto com a festa, o grupo completa 30 anos de história, tradição e magia aos olhos de quem vê.

Cores e movimentos, beleza e simpatia se fundem com a excelência na hora de dançar o ritmo típico italiano, a tarantela. Num piscar de olhos as meninas vestidas de traje típico italiano nas cores da bandeira da Itália, tomam o palco e levam todos os presentes a viajar pela própria imaginação ao ouvir as histórias narradas por Telma Magalhães antes de cada coreografia.

“A gente vem se preparando para esse dia mesmo sem estar pensando nele. Trinta anos é muito tempo, eu que sou mais velha vi essas crianças no início, quando se deslumbravam nas primeiras vezes com as danças de tarantela. Me lembro bem do Seu Fiore quando chamou na primeira festa as meninas, inclusive, nós mais velhos dançamos”, relembra Telma.

A partir dai, o que se iniciou em uma centelha, ganhou força e atravessou gerações. Na apresentação especial dos 30 anos que aconteceu no último sábado, 27 de abril de 2019, durante a 30ª Festa da Colônia Italiana de Quiririm,  mães e filhas ocuparam juntas o mesmo palco e sentiram a mesma emoção.

Foto: Quiririm News

 

“Muitas meninas passaram e sempre felizes. Muitas começaram bem novas, estudaram, casaram e depois saíram do grupo ou foram estudar fora, mas sempre se lembrando do Santa Lucia, parece que é assim: Uma vez Santa Lucia, sempre Santa Lucia. Agora a gente está vendo os filhos delas, as primas, os pequenos querendo também fazer parte. E é assim que a gente vive para sempre. É a nossa descendência fazendo a nossa parte depois de muitos anos. Estamos muito felizes com esses trinta anos”, se emociona Telma Magalhães.

Desde 1989 quando o grupo se iniciou, sem imaginar o tamanho e o que representariam para Quiririm, uma característica em especial pode ser o segredo para longevidade e sucesso do Santa Lucia, a união. Amanda Savio que já foi dançarina do grupo e hoje é coordenadora fala sobre o prazer de participar do Santa Lucia.

“O grupo não tem dono, é de todo mundo. Não é só o fato de dançar,  é o fato de você estar ali porque você gosta, porque é uma coisa que vc tem desde que nasceu. Eu sempre falo para as meninas: quando a gente dança, a gente cria sonhos, eu sonhava em dançar quando era criança, eu lembro perfeitamente de ficar no palco e ver e pensar que eu queria muito um dia estar ali. Então eu acho que é isso que faz o Santa Lucia não acabar”, comenta Amanda Savio.

Mas, para chegar no resultado final apresentado para o público visitante da festa, o trabalho começa meses antes com ensaios, produção de figurino e roteiros, “A gente se esforça por meses na tarantela para chegar aqui e fazer um show bonito, e eu acho que esse amor, essa vontade de estar ali, de colaborar, é que faz com que o grupo não acabe”, explica Savio.

Foto: Quiririm News

 

O início de tudo:

Ao contrário do que se possa imaginar, a primeira apresentação do G.F.I. Santa Lucia não foi na Festa Italiana do Distrito, e sim na Festa da Igreja Matriz de Quiririm, em dia de Santo Antônio. Sobre esta passagem, Fábio Scarenzi, um dos principais incentivadores e coordenadores do grupo a 30 anos com o Santa Lucia, relembra os passos.

“Dona Nininha Canavezzi chamou as meninas para dançar na festa da igreja, logo depois da primeira festa italiana, e a gente foi aprendendo e crescendo com a festa também. E eu acho que hoje o Santa Lucia é um espelho para os outros grupos”, disse Scarenzi.

Na mesma linha e na mesma importância, Mi Chiaradia foi dançarina por 23 anos e coordenadora do Santa Lucia, criou os grupos Santa Lucia Mirim e Piccola Tarantella, e relembra a primeira apresentação, “O Santa Lucia surgiu da necessidade do Quiririm ter um grupo para representar a colônia. Então reunimos amigas aqui do Quiririm, éramos seis, eu, Giovana, Juliana, Alessandra, Camila e Carola, e montamos o grupo. Nos apresentamos a primeira vez na festa junina da praça”, diz Chiaradia.

Ao centro Mi Chiaradia – Foto: Acervo Fábio Scarenzi

 

“Eu fico muito orgulhosa, me sinto lisonjeada de poder ter participado e divulgado essa parte cultural, que é a dança. Realmente é muito bonito, é uma alegria contagiante. As roupas também são bem bonitas então atrai bastante o público. Quando vejo as meninas dançando me dá saudade”, recorda Mi Chiaradia.

O grupo muito unido formado principalmente por garotas de Quiririm e a importância da ligação com a terra que viveram os imigrantes italianos, é essencial para compreender o verdadeiro sentido de compor o Santa Lucia.

“O que a gente sempre preza é uma identidade de “ser do Quiririm”, dançar é uma coisa que faz referência à cultura. Eu acho muito importante também é que a gente vai contando as histórias, dentro ali da apresentação. E  o mais importante de tudo não é nem a festa, é celebrar a imigração deles (italianos). Hoje Quiririm existe por conta deles”, homenageia seus antepassados Scarenzi.

Foto: Quiririm News

 

A celebração especial de trinta anos durou aproximadamente duas horas e lotou a plateia, que pode ver a primeira formação do grupo no palco entre várias outras gerações de dançarinas que passaram pelo Santa Lucia. Todas foram homenageadas com aplausos e vestiam uma camiseta especial de 30 anos do grupo.

A apresentação emocionou os presentes e terminou exatamente como tudo começou lá em 1989, com muito amor e muita dança típica italiana. Como trecho da oração a santa que dá nome ao grupo, “Santa Lucia passou por aqui”, fez e faz história.

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